SAG
SAG,
é um termo muito comum em amplificação valvulada para guitarras.
Como tudo que se relaciona a essa área, é envolto em uma atmosfera
mística. Falando curta e grosseiramente, SAG não passa de uma
"arriada" da fonte de alimentação quando o amplificador
está em alto volume. Ou seja, você está tocando com um som alto
e, de repente, fere com mais força as cordas de sua guitarra, de
onde a dinâmica da amplificação valvulada iria responder maravilhsamente
com mais volume. Se existir SAG na fonte desse amplificador, nesse
exato momento ela não consegue manter a corrente total e o resultado
é uma ligeira queda de tensão. Essa queda de tensão se traduz por
uma amplificação menos eficiente, uma queda instantânea de volume
que acaba funcionando como uma compressão que é, em geral, muito
agradável aos ouvidos e está místicamente relacionada a amplificadores
vintage.
Na
verdade, amplificadores vintage (os mais antigos) utilizavam uma
válvula diodo. Mais conhecida como retificadora, essa válvula tem
a (genéricamente indesejável) característica de apresentar uma resistência
da ordem de 100 a 150 ohms. Quando se exige maior corrente da fonte,
aumenta-se a queda de tensão através da resistência dessa válvula
e o resultado é uma queda na tensão esperada nos anodos das válvulas
de potência e no consequente poder de amplificação. Menor volume
instantâneo = compressão.
Quando
não haviam diodos de silício, utilizavam-se essas válvulas para
retificar a corrente AC (corrente alternada) e convertê-la em corrente
DC (corrente contínua), que é a tensão responsável pelo trabalho
das outras válvulas. Naquela época os capacitores de filtragem também
eram bem mais caros que hoje em dia e a utilização de menores capacitâncias
também deixava a fonte mais propensa a produzir SAG. Mais tarde
os fabricantes começaram a substituir as caras retificadoras do
tipo GZ34, 5U4 e 5Y3 por simplesmente dois diodos de silício. Mais
seguros, mais rápidos, sem resistência e, principalmente, de custo
irrisório, esses diodos permitiram até a eliminação de transformadores
de shoke, através de um incremento nos capacitores de filtragem
da fonte. O resultado foi um ligeiro aumento na potência e no "punch"
dos amplificadores, pois não havia mais SAG e, se havia, era muito
pouco. Como sempre acontece no mundo da guitarra, os guitarristas
descobriram que aquele defeito dos amplificadores antigos deixava
o timbre da guitarra mais agradável. E começou a lenda de que é
necessário uma válvula retificadora para que um amplificador soe
bem.
Esse conceito é 100% falso. É perfeitamente possível
induzir todo o SAG do mundo em um amplificador pela símples inclusão
da resistência que apresentam as válvulas retificadoras ou uma maior
ainda, conforme o desenho da fonte. Por exemplo, um Twin Reverb
Blackface possui retificação a diodos e apresenta pouco SAG, uma
vez que o transformador de alimentação é bem dimensionado e a fonte
idem. A inclusão de um resistor de, digamos, 100 ohms @ 25W após
os diodos fará com que a fonte se comporte exatamente como se tivesse
uma problemática válvula retificadora, produzindo uma compressão
tão vintage quanto seria com ela.
Enganam-se os que argumentam
que existem outras características na válvula que proporcionam uma
mágica no timbre. A retificadora simplesmente retifica. Após
isso existe uma tensão tão DC quanto seria com diodos de silício.
O SAG é provocado exatamente pela sua resistência.
Abaixo
cito as principais desvantagens de uma válvula retificadora:
- Preço.
São mais caras que as de potência. Considere uma GZ34 custando
cerca de 50% a mais que uma 6L6GC
- Esquentam
sobremaneira. Um chassi onde as válvulas ficam de cabeça para
baixo, como em qualquer combo, o aquecimento irradiado para
o restante do chassi pode ser insuportável.
- Nem
sempre são encontradas. Não são realmente muito usadas, principalmente
pelos dois motivos acima.
- Elas
costumam queimar com frequencia. Uma frequencia muito maior
do que as de potência.
- Elas,
às vezes, entram em curto-circuito, ou seja deixam de retificar
e a alta tensão AC é repassada para toda a fonte de alimentação,
transformador de saída e as placas das válvulas, resultando
em 100% de prejuízo no circuito ativo de um amplificador.
SAG
e classe A
Amplificadores
ditos classe A (VOX AC30, VOX AC15, Alguns Single Ended reedições,
etc) não apresentam SAG. Se são classe A, já estarão em SAG permanente
caso utilizem uma válvula retificadora, o que não provoca compressão,
apenas uma potência mais baixa durante todo o tempo. O que acontece
é que os amplificadores em classe A já estão conduzindo toda a corrente
disponível durante todo o tempo, assim não existe queda de tensão
quando mais exigido na potência, que é o que caracteriza o SAG.
Alguns
fabricantes ainda as utilizam
Sim, diversos fabricantes as utilizam. VOX, Fender,
muitos handmakers americanos e a própria Mesa Boogie. Nos casos
da VOX e Fender, é um quesito para manter 100% de compatibilidade
entre suas reedições e os antigos originais. É mais fácil fornecer
o que o mercado espera do que argumentar este árido assunto com
um público que, efetivamente, acredita em mágica sonora. A Mesa
Boogie, por outro lado, poderia utilizar resistores de SAG em seus
Rectifiers, mas não o faz; ela prefere utilizar uma ou duas válvulas
retificadoras porque, ela mesma, finge que acredita em mágica, como
ela própria admite em seu documento em que defende a utilização
de PCB.
Se
esses fabricantes todos as utilizam, por que a Tubeamps não as utiliza,
então?
Ótima
pergunta. Até para mim isso seria um mistério. Talvez eu goste de
"esmurrar ponta de faca". Mas, na verdade, a explicação
é bem mais símples: Eu gosto de autenticidade e verdade em tudo
o que eu faço. Para mim é bastante óbvio o círculo vicioso que
se criou em torno desses mistérios em torno dos valvulados e faço
questão de náo participar dessa roda e de todo o comércio baseado
nessas crenças. Veja mais a este respeito
clicando aqui.
Conclusão
Eu
não recomendo a utilização de uma retificadora. Quando me pedem
a instalação de uma, sempre utilizo todos estes argumentos
e deixo, sabiamente, o cliente decidir por si mesmo.
Dica
Caso
esteja familiarizado com montagens ou manutenção de valvulados e
quiser saber como instalar um resistor de SAG, permanente ou chaveável,
entre em contato com a Tubeamps e terei imenso prazer em orientá-lo
sobre como proceder, o material que precisa adquirir é ínfimo e
o resultado obtido muito satisfatório. Não vou simplesmente publicar
o esquema e isntruções aqui porque, por mais símples que possa ser,
envolve a manipulação de circuitos de alta tensão e cuidados redobrados
sempre são necessários.
Manolo.
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