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São
Bernardo do Campo, |
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Lendas
e Crenças sobre o timbre vintage
Esclarecimento
prévio: Nada do que está escrito aqui pretende ser a verdade absoluta. Trata-se
apenas de um compêndio de diversas leituras, anos de experiência e um pouco
de reflexão. Aqui está refletida apenas a minha opinião e cabe ao leitor verificar
a veracidade ou não dos fatos antes de aceitá-los ou criticá-los gratuitamente.
Isto foi escrito e publicado em 18/08/2005 e ainda passará por diversas correções
e/ou atualizações.
Última atualização:
08/11/2008
Nos
últimos 5 anos, uma verdadeira febre assolou o mundo da música Trata-se do retorno
dos amplificadores valvulados para guitarra elétrica e gaita. Não que antes
disso não fossem reconhecidos mas, foi nestes últimos 5 anos que eles foram
“redescobertos”. Este site tem sua parcela de culpa no Brasil, uma vez que após
a criação da Tubeamps, outros poucos fabricantes de boutique ou “hand made”
surgiram, bem como dois dos maiores fabricantes nacionais resolveram incrementar
suas áridas linhas de amplificadores com algo que realmente funciona.
Na internet encontra-se todo tipo de informação e, cabe ao leitor dessas informações, analisar friamente, raciocinar um pouco (é, raciocinar) e tentar concluir se as informações são coerentes ou não. Pode-se utilizar do recurso “uma certa informação que é repetida por diversos sites está, infalivelmente, correta”. Mas, mesmo assim, corre-se o risco de ser mais um a acreditar em lendas infundadas. Neste artigo, irei me concentrar nas lendas que atingem apenas o timbre de amplificadores valvulados para guitarra e o que tanto se diz sobre o que é necessário para que seu amplificador tenha o timbre dito vintage.
Alguns conceitos são extremamente difundidos, a ponto de parecerem (ou até mesmo serem em algums casos) verdades absolutas:
1. As válvulas que se faziam
na era dourada (até 1972) eram melhores que as produzidas hoje em dia;
2.
As válvulas de então soavam melhor do que as de hoje;
3. Os amplificadores
de então tinham componentes gerais melhores que os de hoje;
4. A madeira
utilizada nos gabinetes dos amplificadores influi terminantemente no timbre;
5.
Os alto-falantes da época eram feitos com muito maior qualidade que os de hoje;
6.
Os transfomadores de então eram infinitamente melhores que os de hoje;
7.
Os amplificadores com válvulas retificadoras soam melhor que os que tem retificadores
a diodo de silício
8. O tipo de ligação de componentes influi no timbre
9. Conclusão
1. As válvulas que se faziam na era dourada (até 1972) eram melhores que as produzidas hoje em dia
É reconhecido mundialmente,
pelo que se diz na internet, que as válvulas atuais são de pior qualidade que
as antigas e que nenhuma válvula de qualidade
atual pode competir neste quesito com as vintage. Por outro lado, é fato que
elas custam
menos hoje do que custavam antigamente. Os russos e os chineses estão produzindo
a todo vapor e o mercado comsumidor está em fase crescente.
Tenho minhas próprias
experiências que aqui vou relatar: Nunca fiz um teste de durabilidade,
mas tenho visto dezenas de amplificadores Giannini com válvulas 6L6GC RCA ou
Sylvania originais. E, depois de uma revisão obrigatória, a maioria dos amps não necessitaram
ter as válvulas trocadas.
Por outro lado, tenho visto as atuais válvulas russas funcionarem
sem problema por alguns anos, mas essa durabilidade só poderíamos, nós meros
mortais, comprovar daqui a mais tempo, caso elas (ou nós) durem (ou duremos)
para isso.
Sabe-se que as velhas máquinas e técnicas que eram utilizadas para
se fazer as antigas válvulas nos EUA e na Europa foram adquiridas pelos chineses.
Já os russos sempre produziram válvulas, ao ponto de a terem aperfeiçoado (é
notória a história do MIG-25 cujo piloto pousou no Japão, deserdando a então
URSS. Boa parte da eletrônica “secreta” do avião era valvulada). Isso parece
indicar uma qualidade que, pode ter sido herdade pelos fabricantes atuais.
Ao
contrário do que se publica na internet, tenho constatado que as 6L6 e EL34
russas (estou falando das Sovtek) agüentam altas tensões, altas correntes de
catodo (altas mesmo), ao ponto de ficarem inteirinhas cor de cereja e esquentarem
absurdamente, por um bom tempo SEM pifarem. Isso me garante que esse mito da
pouca durabilidade das válvulas russas é pura "balela" de americano
nacionalista que ainda "não caiu na real" sobre os russos.
2. As válvulas de então soavam melhor do que as de hoje
Eu já tive a oportunidade
de testar um mesmo amplificador com válvulas de marcas diferentes e, devo confessar
que sou incapaz de diferenciar o som de uma ou de outra. Por exemplo,
o Asset Tubeamps não soou nem melhor nem pior com a utilização das RCA 6L6GC
ou das as Sylvania 6L6GC. As originais Electro Harmonix 6L6 ofereceram o mesmo
timbre delicioso. Mas, neste caso é uma formulação bastante subjetiva e eu só
estou expondo a minha opinião, baseado em minha própria sensibilidade. Existem
pessoas que se julgam capazes de notar diferenças no timbre de válvulas de mesmo
modelo e fabricante. Tem gente que acha que percebe diferença no timbre até
mesmo quando se inverte a posição da tomada de força.
É importante lembrar um aspecto técnico bastante esquecido:
por uma válvula não pode nem deve passar do cátodo para o ânodo (placa) nem
da grade para o ânodo (placa) qualquer corrente alternada. E o som, elétricamente,
é corrente alternada. O que acontece é
uma variação da tensão na placa proporcional em freqüência à variação da freqüência
da corrente alternada aplicada na grade de controle. Portanto, tanto uma válvula 6L6
Sylvania de 1962 quanto uma Svetlana 6L6GC de 2005, trabalhando em na região linear reproduz, por obrigatória
conseqüência, fielmente essas
variações de freqüência, mantendo o timbre.
Fazendo as válvulas trabalharem
em regime de saturação é ourta história: aí as diferenças começam a aparecer
e as diferenças percebidas não são tão subjetivas. O suficiente para
causarem confusão.
3. Os amplificadores de então tinham componentes melhores que os de hoje
Aqui estaremos falando sobre
uma lenda bastante aceita, em geral. Fala-se muito, principalmente entre os
ditos gurus de eletrônica valvulada, sobre o som de capacitores e o som de resistores.
Diz-se que para se obter um timbre vintage, deve-se, obrigatoriamente, utilizar
TODOS os componentes antigos, mas principalmente estes dois. Bom, admitindo-se
que você possa encontrar esses resistores e capacitores antigos, em boas condições
de manipulação, após 40 anos da fabricação, terá que admitir - obrigatoriamente
- que eles estão com as principais
características originais bastante alteradas pelo longo tempo que passou. E deve-se ainda argumentar: você quer um novo amplificador soando
como esses antigos amplificadores soavam antigamente quando eram novos ou quer
o timbre fornecido por um desses velhos amplificadores envelhecidos por 30 ou
40 anos de uso?
Fala-se até em som de resistor ou som de capacitor. Um
resistor ideal deveria apresentar um único efeito: resistência. Já, na prática
do mundo real, eles apresentam certa indutância e capacitância adicionais. Quem
sabe para enfatizar a imperfeição humana? Os ditos gurus afirmam, com toda a
convicção, que essas imperfeições modificam o timbre definitivamente. O que esses gurus de amplificadores
valvulados não dizem (ou não sabem) é que essas indutâncias e capacitâncias parasitas só apresentam
efeitos
perceptíveis em circuitos de altíssima freqüência, como rádio, radares e TV.
Nos amplificadores de guitarra ou de áudio esses efeitos não existem; é como
jogar um copo de água salgada numa lagoa de água doce: ninguém vai notar.
Os efeitos devem ser mais inócuos ainda, uma vez
que em áudio trabalhamos com uma faixa de freqüências bastante restrita (20Hz
a 20KHz) e as guitarras elétricas apresentam queda livre de freqüências após
os 6KHz).
Outra característica dos resistores de carbono é a instabilidade de
valor de resistência com tensões mais altas, antes da estabilização da temperatira. Isso produz os famosos ruídos de
fritura que os amplificadores valvulados equipados com esses resistores costumam
apresentar esporadicamente.
Quanto aos capacitores, há os gurus que só utilizam
os Sprague Orange “porque estes sim é que dão um timbre vintage”. Eles até mesmo
argumentam que podem diferenciar o som de um capacitor de cerâmica, do som de
um capacitor de poliéster e mais ainda do som de um extinto capacitor de papel.
Argumentam que o capacitor de poliéster apresentam um timbre mais “macio” que
um de cerâmica. Mais “macio” significa (parece significar) com menos agudos, isso significa que
o capacitor de poliéster apresenta uma capacitância maior que o equivalente
cerâmico (se utilizado em filtro corta-altas). Então, deve-se concluir que um capacitor cerâmico de 10nF tem um timbre
mais áspero que um capacitor de poliéster de 10nF. Ah sim, cerâmica ou poliéster
são os isolantes utilizados no capacitor, não só o material do corpo. Isso significaria
que o material isolante é que incide no timbre. Reflita
e tire suas próprias conclusões.
Com relação a outros componentes, destaco:
- os soquetes cerâmicos
de hoje são melhores que os soquetes plásticos ou de baquelite antigos;
-
As chaves liga-desliga de hoje são tão boas ou melhores que as antigas;
- Os transformadores
são equivalentes ou até mesmo melhores que os antigos; (veja mais abaixo)
-
Resistores de filme de metal são muito mais estáveis e menores que os antigos
de carbono;
- Potenciômetros são tão bons ou melhores quanto o eram há 40
anos;
- Instalações elétricas com aterramento não existiam ou não eram comuns
há 40 anos.
– As válvulas de hoje (pelo andar da carruagem) parecem ser tão
duráveis quanto as antigas
4. A madeira utilizada nos gabinetes dos amplificadores influi terminantemente no timbre
Provavelmente sim, um pouco.
Afinal o som que ouvimos em altos volumes (altos o suficiente para sentirmos
o impacto) é o ar posto em movimento violentamente pelos alto-falantes. A
função da caixa acústica é cancelar (ou tentar cancelar) o som fora de fase
provocado pela tentativa de retorno do cone à sua posição original. Existem
técnicas para aproveitar esse movimento através de uma inversão de fase adicional
de forma a reforçar o som frontal, mas isso não vem ao caso aqui, uma vez que
esse recurso é mais para reforçar os graves em caixas acústicas de audio. Uma caixa
acústica, fechada ou aberta na traseira, deve apresentar uma determinada freqüência
de ressonância que entrará em ação sob certas condições durante a utilização.
Resta aceitar que essa vibração seja forte o suficiente para movimentar o ar
ao redor e competir e mesmo modular o ar movimentado pelos alto-falantes a ponto
de interferir no timbre. Isso só pode significar que você não deve aceitar nada
menos que um gabinete de pinho sólido (de preferência com mais de 100 anos,
como diz um certo guru americano) para que se tenha um timbre aceitável.
Eu,
pessoalmente, vi um Twin Reverb Silverface cujo gabinete era feito de aglomerado
vagabundo e já estava se esfarelando. Exatamente o mesmo pode ser dito dos gabinetes
Marshall e da famosíssima caixa 1960A: puro aglomerado. Isso influi no timbre?
Provavelmente sim, mas não ao ponto de ser perceptível auditivamente. Isso influi, sim, é
na durabilidade e resistência à umidade. Tenha também em mente que o compensado,
à época em que os gabinetes de pinho sólido eram produzidos, custava muito mais
caro que madeira sólida, principalmente por serem novidade. Isso explicaria porque
se utilizava esses material para os gabinetes dos amplificadores, ao invés do
vantajoso e "cool" novo material.
5. Os alto-falantes da época eram feitos com muito maior qualidade que os de hoje
Eram, pelo menos, menos tolerantes a altas potências que os de hoje. Cabe aqui ressaltar algumas características que os alto-falantes de guitarra precisam ter (é estou entregando o ouro) para apresentar um timbre, digamos, nobre:
- cone feito de material
fino e resistente. Sim, Papel! Mesmo que seja emendado, como os Eminence.
-
cone profundo, ou seja, de altura sensilvelmente maior que a de um cone de alto-falante comum
de áudio.
- ímã pequeno;
- bobina estreita;
- “aranha” com regulagem
ideal, sem ser muito macia, para que não "embole" nos bordões e apresente
aquele grave "sequinho". (Aqui entra a experiência auditiva)
- suspensão
de papel sanfonado, no próprio cone;
Isso tudo se traduz como
um falante de má qualidade, se for pensar em um sistema de áudio de padrões
atuais. Mas são justamente
esses itens que mais caracterizam um bom alto-falante de guitarra. Sim, resumindo,
um bom falante de guitarra é um péssimo falante de áudio. A recíproca, claro,
não é verdadeira.
Temos hoje à disposição os falantes Jensen, Eminence, Celestion
e outros. Todos possuem reedições de seus antigos modelos até mesmo com ímãs
em liga de AlNiCo. O timbre? Esses fabricantes possuem uma infinidade de modelos,
para atender a infinidade de variações timbrísticas que o povo guitarreiro aprecia.
Pelos modelos que tenho testado e usado, não deixam nada (nada, fora preço)
a desejar.
Os primeiros amplificadores Fender, Gibson utilizavam falantes
típicos utilizados em reprodução do que mais era ouvido à época: emissoras de
rádio AM. São os famosos falantes full-range, que abrangiam desde "quase
graves" até "quase agudos". Esses falantes ainda são produzidos
hoje em dia, só que sob a designação de guitar speaker e com preços estratosféricos.
Outra
confusão existente é a afirmação de que alto-falantes com ímã de
AlNiCo (liga especial de Alumínio, Níquel e Cobalto, com características de
fortíssimo magnetismo) soam muito melhor que os de ferrite e isso, a meu ver,
é uma questão de opinião bastante subjetiva. Mas a questão é que muitos
"gurus" afirmam que isso se deve ao ímã própriamente dito.
Por
um ímã de alto-falante não passa nenhum som e nenhuma corrente elétrica. A função
do ímã é ficar fixo e, por conseqüência, fazer com que a bobina se movimente
num vai e vem rápido, acompanhando as variações de freqüência fornecidas pelo
amplificador. Ora, é a construção do alto falante de AlNiCo que modifica o timbre
em relação a um mais moderno, de ferrite. Os falantes de AlNiCo possuem um ímã
tão pequeno que pode deslizar por dentro da bobina, permitem bobinas bem mais
finas e a potência é relativamente mais baixa. Tudo isso favorece uma alteração
do timbre que parece agradar à maioria dos guitarristas.
6. Os transfomadores de então eram infinitamente melhores que os de hoje
Fala-se muito, ao ponto
de ter se transformado em lenda e regra, que um transformador de saída deve
apresentar enrolamento entrelaçado e bobina de papel. Os argumentos? Enrolamento
entrelaçado apresenta um maior rendimento devido a uma maior proximidade geral
entre os enrolamentos primário e secundário. Isso significa maior potência de saída
(*) e sobre a bobina isolante de papel: “apresenta um melhor timbre” porque é mais
fina que a plástica e, portanto, permite uma maior aproximação ainda entre os enrolamentos,
melhorando ainda mais o acoplamento e, de novo, a potência, eficiência.
Hoje em dia
utilizam-se fios de cobre com esmalte à base de “formvar” ou “polyvinyl” que
permitem fiação mais próxima entre si e, consequentemente, maior acoplamento
e potência, dispensando o papel e permitindo a utilização de bobinas plásticas,
mantendo-se de uma forma geral, o mesmo nível de acoplamento - senão melhor.
Lembre-se: o plástico é um isolante. Se você fizer uma comparação, poderá verificar que transformadores
atuais (de alimentação) apresentam-se em menores tamanhos que seus equivalentes
mais antigos. Por que? Novas técnicas de enrolamento, ferro de maior densidade
e isolamento mais
fino. Repassa-se a tecnologia para os transformadores de saída e o resultado
seria evidente.
(*) Com relação a enrolamento entrelaçado, basta consultar
um livro-manual da RCA dos anos 40-50 que o leitor poderá constatar que o enrolamento entrelaçado
favorece a resposta em altas freqüências que, como disse anteriormente, despencam
em queda livre após 5 ou 6 KHz no caso das guitarras e até 12-14KHz, qualquer
transformador com qualquer enrolamento que mantenha as impedâncias necessárias
para casar as válvulas com os alto-falantes pode fornecer - Lembre-se de que isso foi
afirmado numa época em que o isolamento de papel ocupava um volume total apreciável
- mas quando
se diz que um enrolamento entrelaçado favorece as altas freqüências, fala-se
em algo após os 15KHz, que já começa a ficar difícil de distinguir para a maioria
das pessoas, menos para esses gurus que ouvem diferenças de capacitores e resistores.
Já
li muito sobre técnicos nacionais de valvulados afirmando que
“apenas transformadores importados são bons porque eles sim produzem os harmônicos
necessários" ou ainda dando um ar todo
"high-tech" e misterioso à técnica de enrolamento que utilizam. Transformadores
de saída para audio high end são uma coisa e para guitarras elétricas são outra completamente
distinta, embora os princípios sejam os mesmos. Para audio high end utilizam-se
técnicas desenvolvidas a partir dos anos 50, come ferro de densidade maior e
métodos alternativos de enrolamento. Tudo para ampliar ao máximo possível a
faixa de resposta em freqüência.
Já os transformadores de saída para guitarra elétrica eram enrolados há 60 anos,
com ferro comum, potência inferior à total do amplificador, já que ninguém iria
utilizar o amplificador no talo, porque distorcia, e sem respeitar as
freqüências abaixo de 80Hz e acima de 6KHz. Há ainda quem argumente que os transformadores antigos
da Fender ou da Marshall eram construídos sob técnicas e materiais especiais
que hoje em dia são impossíveis de se obter. Ora, pense no seguinte: Fender
e Marshall não entraram no mercado de amplificadores para gerar timbre nem lendas;
entraram para ganhar dinheiro. E, pode ter certeza de que eles utilizavam os
componentes mais baratos que pudessem encontrar no momento e isso inclui transformadores
de saída compatíveis com os falantes citados acima. Não é à toa que
para mesmos modelos vintage existem diversos tipos de falantes, transformadores
de diversos tamanhos e, pasmem, um Deluxe com o mesmo transformador de alimentação
que um Vibroverb.
7. Os amplificadores com válvulas retificadoras soam melhor que os que usam diodo de silício.
Verdade. Soam melhor porque
modificam o timbre de uma forma que se tornou agradável com o tempo, com a evolução
do Rock'n'Roll. Mas isso
só funciona em altos volumes. Acontece que as válvulas retificadoras apresentam
uma resistência entre 100 e 150 ohms que faz com que a corrente fornecida pelo
transformador de alimentação decaia quando muito exigido. Quando ele é muito
exigido? No caso dos amplificadores push-pull (duas ou quatro válvulas de saída)
em altos volumes. No caso dos single ended, amplificadores com uma única válvula
de potência, isso não ocorre. Esse decaimento da alta tensão em altos volumes
(sag) provoca uma maior compressão das válvulas de saída e o efeito obtido é
muito agradável no timbre.
Isso se simula perfeitamente pela inclusão de
resistores divisores de tensão entre a retificação e a filtragem. Cabe ao cliente
definir se ele quer que seu amp tenha ou não o famoso sag. Por outro lado, os
diodos de silício proporcionam maior potência e firmeza em altos volumes. A
válvula retificadora, além de aquecer muito mais que as outras, apresenta outro
inconveniente: a queima dela pode provocar a queima imediata das válvulas de
potência e do transformador de saída, resultando em um grande prejuízo.
8. O tipo
de ligação de componentes influi no timbre
A
afirmação de que as montagens no estilo antigo (PTP) são as que mais permitem
obter um timbre "bom", ou vintage é uma das informações mais fáceis
de se encontrar pela internet. Até mesmo em diversos fóruns eu já li declarações
de alguns adoradores do Heavy Metal que só consideram um amplificador bom se
este estiver construído em PTP e isso para amplificadores de dois ou mais canais
obrigatóriamente em high-gain ou ultra-high-gain. Claro que esses jovens entusiastas
não têm idéia do que estão falando, pois fazer um amplificador valvulado com
5-6 válvulas 12AX7, chaveamento de canais, 10 ou mais controles, footswitch
e ainda por cima o "puro" reverb de molas em PTP é tarefa para titãs
e para quem gosta de problemas, pois a infinidade de fios indo e vindo e se
aproximando "daqui" e "dali" irão produzir um verdadeiro
inferno de ruidos, principalmente zumbidos e apitos.
E mais: todos os fabricantes
mundiais desses amplificadores destinados ao mundo da distorção "sem limites"
são unânimes em se decidir pela montagem em placa de circuito impresso (PCB),
justamente para tornar a produção, manutenção e até utilização possíveis.
Agora,
voltando ao assunto principal dos tipos de montagem deve-se ter em mente que,
antigamente, os componentes passivos (resistores e capacitores) eram dotados
de terminais longos e mais rígidos; os de hoje são curtos, finos e maleáveis.
Isso, por si só, já impede qualquer tentativa bem feita de montagem PTP.
E
as montagens que são consideradas PTP, como a Stripboard, só são consideradas
PTP porque possuem fios que ligam a placa aos componentes externos a esta (soquetes
das válvulas e potenciômetros).
Se estiver a fim de se aprofundar neste assunto,
este site possui uma página que aborda sózinha esse assunto dos tipos de montagens
(http://www.tubeamps.com.br/ptp.htm)
e lá estão expostas e contrariadas as principais lendas a esse respeito.
Na
verdade as montagens PTP costumam ser mais resistentes a pancadas recebidas
pelo amplificador.
Os donos dos amplificadores high gain é que sofrem por
precisarem ser mais zelosos no transporte.
9. Conclusão
Algumas lendas são verdadeiras e comprováveis tecnicamente, outras não. No caso de se obter um timbre vintage, eu ressalto três exigências básicas, por ordem de importância no timbre:
1. Alto-falantes vintage
ou réplicas exatas. Pode-se arriscar com outros falantes, mas os resultados,
via de regra, são decepcionantes.
2. Transformadores de saída. Estes devem ter
uma série de requisitos mínimos a serem considerados na hora da confecção e
isso demanda um certo conhecimento e raciocínio lógico de quem os projeta.
Os requisitos máximos também devem ser levados em conta, para não termos transformadores
"bons demais" para a aplicação e estragar o timbre. Lembre-se; aqui
estamos discutindo tudo no âmbito da reprodução de timbres vintage
3. Circuitos simples.
A lei do menos é mais prevalece aqui de forma bastante concreta.
A Tubeamps utiliza os componentes da seguinte forma:
1. Válvulas novas, atuais,
russas.
2. Resistores de carbono no sinal de audio e metal film nos pontos críticos de ruido
3. Capacitores de poliéster ou cerâmicos,
conforme o valor
4. Soquetes cerâmicos novos, russos
5. Transformadores
de saída com enrolamento entrelaçado e bobina de plástico. As faixas de resposta
em frequência, indutância de primário e potências máximas admissíveis estão
de acordo com o que era utilizado antigamente.
6. Alto-falantes Eminence ou nacionais construídos especialmente
para guitarra. Opção do cliente
7. Retificação a diodos de silício de alta
tolerância (O cliente manda: válvulas retificadoras podem ser utilizadas)
8. Madeira compensada de 18mm e 15mm em todos seus gabinetes,
exceto os de acabamento em madeira natural, que são feitos assim por motivos
estéticos apenas.
9. Potenciômetros top line da
Alpha ou CTS (Aqui a durabilidade é o quesito de qualidade mais importante)
10. Montagem em circuito impresso ou PTP Stripboard, conforme
o modelo
11. Chassi em alumínio de 1/8" de espessura com pintura eletrostática.
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