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São
Bernardo do Campo, |
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Um pouco sobre distorção
Texto
criado em 05/02/2006. Uma vez aceita por todos, a distorção de guitarra começou a ganhar variadas formas. Na verdade, tipos de captadores e regulagens diversas da equalização dos amplificadores (básicamente graves, médios e agudos) fizeram com que uma infinidade de timbres fossem criados. No fundo trata-se sempre do mesmo efeito: o amplificador trabalhando em clipping, achatando o sinal por incapacidade de amplificá-lo mais um pouco gera distorção. Não demorou muito para que os engenheiros lançassem caixinhas de distorção (transistorizadas) onde uma tentativa de repetir o timbre dos amplificadores valvulados em regimes de alto volume. Pronto foi criado mais um novo timbre. Desta vez a distorção ficou diferente, mas ainda agradou a muitos guitarristas que passaram a ter novos recursos em seu arsenal de timbres. Essas caixinhas ou pedais sofreram poucas modificações até hoje. Básicamente trabalha-se com dois estágios pré-amplificadores e um estágio clippador ou achatador. Primeiramente amplifica-se brutalmente o sinal da guitarra e aplica-se num estágio seguinte que irá ficar saturado, achatando o sinal e gerando distorção. Mais achatamento ainda é obtido por um par de diodos de silício ou germânio em anti-paralelo entre o sinal do segundo estágio e o terra. Essa é a receita básica de um fuzz, overdrive ou distortion pedal. Pequenas nuances como nível de ganho entre os estágios, tipos de diodos e, principalmente, equalização, fazem com que cada pedal tenha seu timbre característico. Mas logo, como sempre acontece, surgiram
os puristas afirmando que esse não é o timbre de um valvulado saturado e, portanto,
não se presta. Legiões de guitarristas passaram, então, a só valorizar pedais
valvulados de distorção, ainda que as características sejam as mesmas. Quando
trabalhamos com baixos sinais, em nível de pré-amplificador, transistores e
válvulas comportam-se de maneira semelhante: ambos criam harmônicos de ordem
par e ímpar. A operação diferente de válvulas e transistores é que cria distinção
entre os timbres. Portanto é possível, teóricamente, criar pedais equivalentes
para distorção forte tanto valvulados quanto transistorizados. Para recriar a atuação
mais ou menos suave de uma válvula deveremos utilizar muitos transistores e
isso pode complicar o circuito. Com o advento dos amplificadores operacionais,
com dezenas e até mesmo centenas de transistores embutidos num único invólucro,
a coisa ficou mais fácil mas, ainda assim, teríamos que lidar com muitos componentes
passivos e redes de equalização. Assim, fica mais fácil utilizar as válvulas,
ainda que o custo final seja mais alto. Desde o fim dos anos 90 existe uma tendência
generalizada de embutir essas sucessivas etapas de distorção dentro dos próprios
amplificadores valvulados. Surgiram, então amplificadores como os Peavey 5150,
Crate Voodoo, Marshall JCM900, Marshal JCM2000 e os surpreendentesMesa Boogie
multi-canais, começando com o Mark IV. Muitos guitarristas famosos se valeram de experiências com a ligações de diversos amplificadores em cascata para obter mais distorção. O Brian May foi notório nesse aspecto utilizava dois ou três amplificadores Vox em série, sem utilizar a etapa de potência deles, exceto no último. Assim ele ligava a guitarra no primeiro amplificador, retirava o sinal do pré-amplificador do primeiro e injetava no amplificador seguinte e repetia o processo mais uma ou duas vezes. Regulagens de ganho excessivo eram feitas pelos respectivos controle de volume de cada amplificador e, em conjunto, com a sucessiva rede de equalizações (graves, médios e agudos de cada amplifiador), obtinha um timbre final bastante interessante para certos solos e bases. |
O diagrama abaixo demonstra o que era feito:
Observe-se que tanto
no estágio 1 quanto
no 2 são utilizados apenas os pré-amplificadores de cada amplificador, significando
que a etapa de potência é desativada e nenhum som sai do alto-falante. Já no
último estágio utiliza-se a etapa de potência, inclusive com os falantes. Com
base nessas experiências bem-sucedidas, fabricantes começaram a embutir diversos
desses pré-amplificadores em um único amplificador maior a fim de repetir o
efeito. Veja o esquema típico desse pré-amplificador ultra high-gain em diagrama de blocos: |

Tudo foi simplificado. Não representamos o reverb, alguns estágios podem ser desligados, diminuindo o ganho, etc. Os estágios 1, 2, 3, 4, 5 e 6 são meias-válvulas 12AX7 e cada uma proporciona dois estágios, pois ela é dupla. Assim, neste pré-amplificador, teríamos (sem reverb) três 12AX7. Note que o primeiro equalizador é mantido fixo, numa regulagem considerada ideal na fábrica, durante os testes auditivos antes da finalização do projeto. É básicamente essa regulagem fixa que define algum timbre característico do amplificador. Já a segundo rede de equalização é aquela que fica com os controles no painel. O equalizador gráfico no final dos blocos é opcional e daí o sinal da guitarra segue para o estágio de reverb, FX Loop e etapa de potência. Note que o que é feito é simplesmente
incluir, da maneira mais enxuta possível, dois pré-amplificadores completos
e mais um estágio extra de ganho. Tudo em
cascata. É isso que produz esses timbres cavernosos de ultra high gain que tanto fazem
sucesso atualmente. Sobre os diodos clipadores Amplificadores MesaBoogie não utilizam diodos clipadores. Eu, pelo menos, desconheço algum esquema deles que faça isso, exceto o pedal/pré V-Twin. Por outro lado, já vi diversos pedais valvulados de outros fabricantes que o utilizam e até mesmo os Marshall. O 2550 com sua deliciosa distorção cremosa, se valem desse recurso. Os puristas afirmam que um estágio deixa de ser valvulado quando se utilizam diodos clipadores porque eles são de silício, germânio ou ainda LEDs, portanto componentes de estado sólido. O importante é que eles podem eliminar um ou dois estágios de amplificação ao serem ligados entre a saída de algum estágio de ganho e o terra, conforme o diagrama abaixo: |

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Alguns
puristas menos informados ainda esperam que um amplificador desse
tipo seja todinho feito em PTP, para que não exista "perda
de timbre" da guitarra. Vale lembrar que numa configuração
de ultra high gain o timbre da guitarra acaba não influindo muito, uma
vez que o que ouvimos está completamente achatado e modificado. Verdadeiramente
homogeneizado pelas sucessivas etapas de ganho monstruoso.
Manolo |
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Bernardo do Campo, |
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